Canalizações, como a do Ribeirão Arrudas em Belo Horizonte, nem sempre são a melhor solução para os cursos d'água nas grandes cidades.
A reportagem que mais relevante que achei das edições 11 e 12 do Manuelzão é a que discuti a cananalização (tanto aberta quanto fechada) dos córregos presentes nas cidades e nas áreas industriais um tema que envolve completamente com o nosso projeto de intervenção no Rio Arrudas. Com o desenvolvimento da cidade muitos acreditam que a solução seja canalizar, mas isso só esconde o problema, empurrando-o para frente, uma vez que esse processo é caro e inadequado ambientalmente. A canalização, como é feita atualmente, traz muitos erros, pois prioriza a resolução de problemas do sistema viário das ruas e avenidas e não resolve os problemas de poluição ao longo do curso do córrego. O certo seria o saneamento dos cursos d'água, despoluindo e preservando suas margens, além da valorização de seu curso. Também implementando coleta de lixo, coleta e tratamento do esgoto, planejamento da ocupação e uso do solo, além de uma campanha de educação ambiental.
O Projeto Manuelzão busca congregar esforços para revitalizar a Bacia do Rio das Velhas. Essa luta pelo meio ambiente, por melhor qualidade de vida não acontece sem comunicação. A comunicação não se faz em mão única. É uma troca, em que a expressão de cada um é fundamental.
Encontraremos nessa edição os textos que discorrem sobre:
O hábito de jogar animais mortos nos rios, que afeta todo o ecossistema;
O aproveitamento da região da Serra do Cipó preservando o meio ambiente, uam vez que em feriados prolongados é recebido em média 40 mil turistas, tornando inviável a fiscalização eficiente pelo IBAMA;
Primeira turma de estudantes de medicina, em janeiro, de 1997, na reunião de instalação do Projeto, que contou a participação de Manuelzão.
Nessa edição o projeto completa 3 anos consolidando sua posição de vanguarda no movimento pela saúde coletiva nas universidades e na sociedade, desenvolvendo um amplo trabalho de mobilização social, dentro da visão de saúde não é essencialmente um problema médico, mas de qualidade de vida nas condições historicamente possíveis.
Encontraremos nessa edição os textos que discorrem sobre:
O necessário para um tratamento dos resíduos orgânicos do lixo de maneira correta tanto ambientalmente quanto economicamente;
A criação do Grupo Especial de Proteção aos Recursos Hídricos, que atuará junto ao gabinete do Procurador Geral de Justiça desenvolvendo ações integradas de defesa do meo ambiente, principalmente da água, em todo o Estado;
A importância das águas de Minas;
Um grande problema na sociedade, o lixo;
A posssibilidade, partindo de Sabará, a chegada ao Oceano Atlântico por meio do Rio das Velhas e do São Francisco, que faltou apenas o investimento do governo para acontecer;
A solução para os cursos d'água presentes nas aréas urbanas, canalizar ou não.
Hoje em dia, parte do Rio Arrudas segue seu curso de forma praticamente imperceptível para as pessoas à sua volta. Isso se deve ao fato de o mesmo, passadas algumas obras no local, ter sido tampado por asfalto e concreto, sendo a visualização do mesmo possível apenas por algumas frestas deixadas na estrutura projetada para os pedestres.
Especulações indicam que, no futuro, essa obra realizada em parte do rio se estenderá por todo o seu curso dentro da capital.
No papel de arquitetos e urbanistas em formação, pensamos em uma intervenção mais “saudável”, tanto no rio, quanto em sua volta.
Como ponto de partida, nada mais importante que cuidar da qualidade da própria água, com a implantação de estações de tratamento de esgoto e o controle do despejo de lixo, tanto doméstico, quanto industrial no local. Tais medidas já seriam um grande diferencial na área, que hoje é marcada pela poluição e mau cheiro.
Os paredões de concreto que cercam o rio, chamados de galerias, serviriam de inspiração para o surgimento de uma diferente manifestação: como galerias de arte. Os artistas belo-horizontinos ali encontrariam espaço para divulgar seus trabalhos de uma forma inusitada e bastante chamativa. E as manifestações seriam as mais diversas, desde grafiteiros, pintores e escultores, até poetas, já que a exposição dos trabalhos ficaria livre à imaginação do artista, podendo ser um desenho, uma pintura, um texto...
Do lado de fora do rio, pensamos na criação de espaços relaxantes e atrativos. Seriam pistas de cooper dos dois lados do Arrudas, sendo que uma delas ocuparia uma pista hoje destinada a automóveis. Muitas árvores em volta do rio fariam dessas pistas locais adequados para caminhadas, por causa da sombra por elas proporcionada.
Haveriam pontos de empréstimo grátis de bicicletas. Toda e qualquer pessoa poderia usufruir desse serviço, sendo necessário apenas o arquivamento de um documento durante o período de empréstimo.
Por fim, pensamos na implantação pontes que ligassem os dois lados do rio e funcionassem como locais de observação do Arrudas e das manifestações artísticas nele encontradas. O mesmo se daria nos quiosques localizados ao longo das pistas de cooper, onde as pessoas teriam a oportunidade não só de assentar-se para comer ou beber algo, mas também de relaxar e admirar seu entorno.
As mudanças na arquitetura da região mais movimentada da capital retratam as etapas do seu desenvolvimento urbano, desde que a cidade foi fundada até ela se consolidar como metrópole. Essa metamorfose é dividida pelo arquiteto Carlos Roberto Noronha, presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais, em sete fases de transição. Seis são simbolizadas por colunas de edificações e a última pela estrutura montada para iluminar o quarteirão fechado da Rua Rio de Janeiro, entre a Rua Tamoios e a Praça Sete. "As colunas foram pesquisadas em edificações religiosas, públicas, industriais, residenciais, comerciais e espaços públicos. São elementos gráficos que representam imóveis ainda existentes no Centro, elementos tipológicos referenciais aos diferentes estilos arquitetônicos", destaca Noronha.
Capela do Rosário (Aarão Dias): as suas colunas são elementos recorrentes em construções do ecletismo, estilo utilizado no fim do século 19 e início do 20.
Edifício Industrial (Francisco Izidro Monteiro): a segunda tipologia de colunas representa a criatividade dos artífices na composição de elementos decorativos.
Prédio da prefeitura (Luiz signorelli): possui colunas que representam o art déco, com forte presença nos anos 1930 e 1940. Sua composição é marcada pela base retangular e frisos horizontais.
Edifício Argélia (Tarcísio Silva): é uma composição sem elementos decorativos, revestida com pastilhas em cerâmica, material recorrente na arquitura modernista.
Edifício Pilar e Alagoas (Geraldo Ferreira Lima): a quinta coluna é elemento estrutural em forma de V, muito utilizado em edificações projetadas nos anos de 1950, principalmente por Niemeyer.
Prédio 527 (Uriel de Moura Santiago): é um pilar retangular, recoberto com pedras irregulares, utilizado nos anos de 1970.
Estrutura de quateirão fechado da Rio de Janeiro (Gustavo Pena): trata-se de estrutura em aço para iluminação, material muito presente na arquitetura contemporânea.
Fonte: Estado de Minas - 11 de abril de 2010 - Caderno Gerais
Duas das características mais marcantes do rio, hoje em dia, são a poluição e odor desagradável. Para torná-lo um atrativo na cidade, a primeira atitude a ser tomada deve ser acabar com o lixo que ali é jogado e criar estações de tratamento de esgoto para que o mesmo nao seja despejado diretamente no rio. O Arrudas é envolvido por uma estrutura chamada galeria, que pode servir de inspiração para um novo uso: como uma galeria de arte, e nada melhor para representar a cidade do que a arte urbana, a grafitagem. Seria um convite aos grafiteiros de BH, que poderiam mostrar seu talento de forma a enriquecer a cidade e tornar atrativo um local hoje repulsivo. Além disso, refletores coloridos serão ligados durante a noite chamando a atenção para o rio.Para adequar o entorno do rio aos visitantes, propusemos a instalação de pistas de caminhada e espaços de observação do Arrudas e da arte nele encontrada.
Radicado no Brasil desde 1948, Krajcberg tem 87 anos e faz de suas obras de arte um manifesto contra a devastação da natureza. Ele chama de “Meus Gritos” as esculturas enormes feitas de árvores chamuscadas e retorcidas.
(Flor do Mangue)
O artista vive há mais de três décadas em uma impressionante casa no alto de uma árvore em uma reserva florestal em Nova viçosa, no sul da Bahia. Todo dia ele sai com sua câmera para fotografar a natureza.